Como é Feita a Partilha de Bens na Dissolução de União Estável
- Dra Margareth

- 28 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Encerrar uma união estável exige decisões claras sobre a divisão do patrimônio. Este guia prático explica, de forma direta, como funciona a partilha de bens, quais bens entram (ou não) na divisão, os caminhos mais rápidos e seguros e como reduzir custos e conflitos.
O que é união estável e por que isso importa na partilha
União estável é a convivência pública, contínua e duradoura, estabelecida com o objetivo de constituir família. Ao ser dissolvida, surge o direito de cada parte à sua meação (a fatia que lhe cabe), conforme o regime de bens adotado.
Regime de bens: qual vale para você
Comunhão parcial (regra geral)
Comunica os bens adquiridos de forma onerosa durante a união.
Bens anteriores à união, heranças e doações, em regra, não entram na partilha.
Dívidas assumidas em benefício comum também podem ser partilhadas.
Outros regimes possíveis
Comunhão universal: em geral, comunica quase todos os bens, salvo exceções legais.
Separação convencional: cada um mantém seu patrimônio, conforme contrato.
Separação obrigatória: casos específicos previstos em lei.
Se houve contrato de convivência, ele pode definir o regime aplicável.
Como é feita a partilha na prática
Diagnóstico jurídico: confirmar a existência da união estável e identificar o regime de bens.
Levantamento patrimonial: listar bens, dívidas, valores, quotas de empresas e comprovar datas e formas de aquisição.
Escolha da via: Extrajudicial (cartório): quando há consenso e não existem filhos menores ou incapazes.
Judicial: quando há divergências, bens complexos ou filhos menores/incapazes.
Acordo e avaliação: definir percentuais, quem fica com o quê e eventuais pagamentos de compensação.
Formalização: escritura pública (cartório) ou sentença homologatória (Justiça).
Transferências e registros: atualizar matrículas de imóveis, contratos de veículos, alterações societárias e quitação de tributos e emolumentos.
O que entra e o que não entra na partilha
Entram, em regra: bens onerosos adquiridos durante a união (imóveis, veículos, aplicações), direitos econômicos decorrentes do período (por exemplo, quotas empresariais), e dívidas contraídas em benefício do casal.
Não entram, em regra: bens adquiridos antes da união, heranças e doações com cláusula de incomunicabilidade, indenizações de caráter pessoal e bens de uso estritamente pessoal.
Casos que exigem análise: valorização de bens particulares por esforço comum, FGTS utilizado na compra do imóvel do casal, previdência privada e bônus trabalhistas. A orientação técnica evita perdas.
Documentos essenciais
Documentos pessoais e comprovantes de endereço.
Provas da união estável (declarações, certidões, contas conjuntas, fotos, contratos).
Relação de bens e dívidas com documentos: matrículas de imóveis, CRLV, extratos bancários e de investimentos, contratos sociais, notas fiscais.
Comprovantes de aquisição (datas, valores, forma de pagamento).
Erros comuns que custam caro
Confundir "em nome de quem está" com "de quem é" — o que importa é quando e como o bem foi adquirido.
Deixar de mapear dívidas e direitos, gerando partilha desequilibrada.
Assinar acordo sem avaliação de mercado dos bens.
Ignorar tributos e custos de transferência, atrasando registros.
Prazo e custos: o que esperar
Extrajudicial: cerca de 15 a 45 dias após o acordo e documentos completos.
Judicial: pode variar de 6 a 24 meses, conforme complexidade e pauta do foro.
Custos típicos: emolumentos, registros, avaliações, eventuais tributos em transferências e honorários. Planejamento evita gastos desnecessários.
Como reduzir conflitos e proteger seu patrimônio
Centralize comunicação e negociações com apoio técnico.
Use avaliação independente para bens de maior valor.
Considere compensações financeiras quando um bem é indivisível.
Formalize tudo: minuta clara evita interpretações futuras.
Cartório ou Justiça: quando escolher cada um
Cartório: consenso total, sem filhos menores/incapazes, documentação completa.
Justiça: conflito sobre bens, necessidade de provas, avaliação pericial, filhos menores/incapazes ou quando uma das partes não comparece.
Como um advogado pode ajudar
Define a melhor estratégia (extrajudicial ou judicial) e o regime aplicável.
Evita que bens ou dívidas fiquem fora da conta.
Negocia termos que reduzem custo, tempo e risco.
Cuida das formalidades para que a partilha tenha validade e seja registrada sem dores de cabeça.
Próximos passos
Liste bens, dívidas e documentos.
Agende uma avaliação com um especialista para estimar cenários e custos.
Opte pela via mais rápida e segura para o seu caso e formalize o acordo com segurança jurídica.
Precisa de orientação prática para resolver sua partilha com agilidade e proteção patrimonial? Fale com um especialista agora.





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